Não há respeito algum. Isso é fundamental para que entendam
do que estou falando. Aos 16 tatuei “Respeito se conquista” na minha nuca após
uma briga em que minha mãe dizia que eu era obrigada a respeitá-la. Não era,
ninguém é. Assim como ela, como mãe, não tem o direito de me agredir física ou
psicologicamente. Apenas por ser “mãe”. Não, não é. Eu venho de uma criação
cheia de ofensas e de humilhações acompanhadas por uma ditadura ridícula
mascarada de moralismo. Falso moralismo.
Meu papai, meu querido papai, ele também não tinha razão
quando me socou naquela terça-feira de Carnaval como se fôssemos dois soldados
igualmente fortes num campo de batalhas. Até hoje não entendo o motivo pelo
qual ele começou o espancamento, mas confesso que durante a agressão saíram da minha boca possíveis motivos para enfurecê-lo ainda mais. A dor não importava, eu estava anestesiada. E
ele só me calaria de vez se me matasse ali, naquele sofá velho, em frente ao
homem que amo – que também era ameaçado.
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