sexta-feira, 7 de março de 2014

Respeito se conquista

Não há respeito algum. Isso é fundamental para que entendam do que estou falando. Aos 16 tatuei “Respeito se conquista” na minha nuca após uma briga em que minha mãe dizia que eu era obrigada a respeitá-la. Não era, ninguém é. Assim como ela, como mãe, não tem o direito de me agredir física ou psicologicamente. Apenas por ser “mãe”. Não, não é. Eu venho de uma criação cheia de ofensas e de humilhações acompanhadas por uma ditadura ridícula mascarada de moralismo. Falso moralismo.

Meu papai, meu querido papai, ele também não tinha razão quando me socou naquela terça-feira de Carnaval como se fôssemos dois soldados igualmente fortes num campo de batalhas. Até hoje não entendo o motivo pelo qual ele começou o espancamento, mas confesso que durante a agressão saíram da minha boca possíveis motivos para enfurecê-lo ainda mais.  A dor não importava, eu estava anestesiada. E ele só me calaria de vez se me matasse ali, naquele sofá velho, em frente ao homem que amo – que também era ameaçado.

Até hoje não entendo o motivo do primeiro soco que recebi com todo aquele ódio, mas dos seguintes eu lembro. Não vou esquecer nunca. E toda vez que ele me olhar com aquele falso moralismo e sorrir, por dentro lembrarei do sofá, da terça-feira, do ódio naqueles olhos mentirosos e do quanto valeu a pena apanhar feito uma escrava rebelde. A verdade é como uma faca descontrolada que sai cortando e dilacerando tudo o que está ao redor . Aquela faca feriu a ele, não a mim. Eu estava apenas me livrando do porte dela. Por isso me mantive intacta, tirando os hematomas pelo corpo.

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